Cultivo do tabaco e casa de farinha: Uma tradição que resiste ao tempo
Caro leitor, a história que você lerá agora vem de lá das bandas de Planalto- BA, de uma comunidade pequeninha e bastante acolhedora chamada Vereda. É a história de seu Janino e dona Teresa, casal simpático e amoroso que juntos desde 1970, têm a cultura de plantar tabaco e cultivar mandioca.
Com o nome científico de nicotina tabacum, o tabaco é uma planta da qual se extrai uma substancia chamada nicotina. Seu uso há mais de 1000 a.C , chegou ao Brasil através de migrações de tribos tupi- Guaranis. E para seu Janino, essa prática foi herdada quando ele se casou com dona Teresa Cunha que assim como sua mãe passou para os filhos Nerivaldo, Edalvo, Dinoel, Carlos e Maria Cléia essa tradição.

No início, pobre de seu Janino ficava tonto com o cheiro da planta e, de acordo com dona Teresa, na época da colheita, não se aguentando em pé, deitava no meio da roça. Injuriado chegou inclusive a ir para São Paulo, vejam só! Mas a saudade era grande e não teve jeito, seu Janino preferia qualquer coisa, menos ficar longe de dona Teresa. Quando retornou tratou logo de se acostumar com o cheiro do tabaco, pois este era o meio de proporcionar o sustento da família. Além disso, ele e a esposa começaram a plantar mandioca e juntos construíram uma casa de farinha. Esta começou pequena, com máquina manual, tudo muito artesanal. Com a ajuda dos filhos a produção melhorou e daí foi possível comprar motores e um fogão melhor para casa de farinha.
O trabalho é árduo e aproveitando os períodos de chuva, entre os meses de outubro a dezembro toda a família vai para roça. No que se refere ao plantio do tabaco, dona Teresa explica que “o primeiro passo é o polvilho das sementes. Assim, num espaço de 60 a 90 cm de distancia e em filas as sementes são semeadas e regadas com pouca água. Depois, quando a planta desenvolve nós retira o broto que fica no meio assim que a planta começa a florir. Isto permite que as folhas fiquem maiores e mais grossas. Aí quando chega a época da colheita, nós corta a planta no talo e pendura ela num local bem ventilado e úmido. Quando seca a gente faz a manoca (amarra-se as folhas em montinhos) e distala (tiram-se os talos), depois nós lava as folhas e eu tranço. Depois de tudo isso tá curado pra vender ". A família sobrevive financeiramente da venda do produto, tanto que, no ano passado a família chegou a vender a trinta reais o quilo do tabaco. E com o lucro conseguiram comprar um trator.
Em se tratando da casa de farinha a produção é constante. O processo de produção inicia-se no plantio das manivas (pedaços de mandioca). Assim que é colhida Alan, neto de seu Janino, explica que " a mandioca é descascada, raspada e amassada. Daí põe na água pra pubar (amolecer), quando já fica pubada é a hora de ensacar e colocar num moinho com prensa para espremer a massa até ela ficar seca. Aí uma parte a gente faz a goma, a puba a outra a gente torra e faz a farinha e o beju ". O excedente eles vendem na comunidade ou levam para a feira em Planalto.
Como a terra é boa, além do cultivo de mandioca e tabaco, a família ainda planta melancia, melão, algumas hortaliças e algumas verduras. E deste modo vão mostrando que, apesar das adversidades, a subsistência da família é garantida no sertão. O que precisa bem como afirma seu Janino é “união, coragem e vontade de trabalhar, pois tendo isso nós somos felizes”!
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